No meio do intervalo, resolveu falar com ela, foi ao seu encontro, entrou confiante na roda das amigas e beijou de beicinho sua boca, e em seguida, cumprimentou as amigas, foi quando ela disse:
-Vem cá, quero falar com você
Ele a seguiu até a cantina, pediu uma coca, dois canudos, pagou, e foi com ela a um lugar menos agitado. Ambos tomaram um pouco de seus canudinhos, ele a olhou, sentiu o doce, e perguntou:
- O que você queria falar comigo? - tom adocicado
- Sabe, faz tempo que a gente está junto – começou – você lembra do começo. A gente ficava na saída, depois no pátio, até em casa...
- É... - o doce estava acabando- E você veio com essa idéia de sair disso, criar intimidade, e me pediu em namoro.
- Te pedi com aliança e tudo – sentiu um gostinho, e sorriu
- No inicio, foi legal, como meus pais nunca te viram, e achavam que eu não tinha namorado, e a gente namorava escondido – gesticulava como se quisesse adverti-lo sobre o que veria – eu gostei, mas agora...
A partir desse ponto ela parou de mover os braços, era a calmaria da tempestade, ele já sentia o ácido, que descia lentamente de gole em gole. Achou ter ouvido um "terminar", foi mais ameno, "vamos dar um tempo...", e ela voltou a gesticular.
- Você não fica mais comigo – prosseguiu - me deixa com minhas amigas, não faz mais carinho, não tem afeto, nada, fico aqui, amargurando com histórias das minhas amigas, é estranho sabia, às vezes penso que você não me ama mais, nem sequer me beija daquele jeito mais, Fernando, no máximo me dá um selinho – explodiu como o gás da boca – eu namorava por causa da emoção de ficar, de sentir, de ser sentida, agora virei uma coisa! - "namorava"? Como assim namorava, ele se assustou com o fim, sentiu por dentro a mentira que era o tal "tempo" - ...e eu só não fiquei com outro, por que te considero, e achei que falando com você isso mudava, vai mudar não é?
Atônito, teve a coca furtada por sua namorada, ou ex, ou..., que se dane no que ela é. Ela tomou o resto da lata e foi-se.Ele estava explosivo, como isso, "uma coisa ?", ela era tudo, e agora a ingrata se ia com a lata amassada na mão, estava com o gás na ponta da língua, pronto para explodir. Tirou a aliança, pensou e arremassar longe, mas pensou, e a colocou no seu bolso, "agora ela me paga", lembrou-se da Rachel, que tava de olho nele faz tempo, pois é, "agora ela me paga".
Bateu o sinal, hora da vingança, foi para a classe, fez um bilhetinho para Rachel, disse que tinha terminado, e que queria falar com ela na saída, esperou, arquitetou tudo, estava claro em sua mente de como iria fazer. Recebeu um "SIM" como resposta, estava tudo armado.Saiu voando da sala, no final da aula, viu Rachel, que não disfarçava um assanhamento e receio:
- E sua namorada? - indagou
- Já era, terminei, já queria terminar com ela desde que vi você – ele sabia mentir como ninguém.
Nem precisou de resposta, a agarrou e a beijou com todo o fôlego, a bebeu e sentiu novamente o doce na boca. Nesse instante, se ela ainda não era sua ex, acabava de virar, ela o viu com aquela biscate da Rachel, satisfeita com um só beijo.
- O que é isso???
- Você queria que eu mudasse, eu mudei.
Não ouviu retalhação, estava feito, somente faltava um detalhe, abriu a mão dela, e deixou-lhe a aliança, e subiu com Rachel, no primeiro ônibus que apareceu, rumo ao terminal.No terminal passaram-se ônibus e mais ônibus "ela não tá brava?", indagou Rachel, "Que nada, ela sabe aceitar essas coisas", passou da hora, fechou com chave de ouro, de língua, e uma agarrada no bumbum, e subiu para casa, e só ouviu um suspiro de Rachel.
No ônibus, sentiu a vitória nas veias, o suave sabor doce, da coca e de gloss, sentou-se, e em minutos estaria em casa, queria ver só a cara, o que ele escrevera na internet, estava feito, que se dane, arranjava outra, quem sabe até a própria Rachel, tinha deixado sua marca.Olhou para trás e viu um casal de namorados, juntos sorrindo, sem beijinho, nem nada. O que era aquilo afinal? Sentiu algo novo, pela primeira vez pensou: "e depois?", será verdade o que ela tinha dito, não sabia expressar o que pensava, era um turbilhão de idéias, memórias e imaginação. Sentiu a boca amargar lentamente, sentiu uma sede que lhe secou os lábios. Desceu rápido e entrou em casa, bebeu mais de 1 litro de coca, não passava, o que era aquilo?
Sentou no sofá e ligou a TV, era dia 12, dia dos namorados , a TV não mentia, na pressa ligou o computador, que agitado se afogava nos próprios beijos. Entrou no ORKUT, 12 de Junho, o gosto piorou. Foi em seu álbum de fotos, momentos "ela e ele", olhou atentamente, sorriso e olhos , foi avançando no tempo, rezava que ela estivesse errada, com o passar do tempo as ficavam raras as fotos deles juntos, "tinha concerto?", foi quando percebeu o depoimento dela, "o amor meigo, sincero, guardado, escondido ", tentou se lembrar da última vez que se sentiu assim.
Não lembrou, e percebeu que não valia nada, Rachel, a coca, só queria tirar se livrar daquele gosto que colava na sua boca, estava feito, estava feito. Afinal, ele havia mudado, não é?
Feliz Dia dos Namorados,
João Pedro
quinta-feira, 11 de junho de 2009
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que bom que vivi essa época, a época boa na qual passamos o dia jogando papo fora, nos perdiamos no tempo com as brincadeiras de criança, aww saudadesss pena q o tempo não volta
ResponderExcluiresta de parabens =333