Agora sim, está tudo pronto, a cortinas estão abertas, apesar de fazer algum tempo, afinal elas já estavam assim muito antes disso, se abriram numa tarde estranha de 1996, Setembro de 96, 9 meses depois de um ano-novo que marcou vidas, deixou o que falar, frutos daqueles dias sem amanhã, em que se vivem como se tudo fosse pro inferno. Coisa que puxa coisa, mas vai ficar para outro dia.
Faltava o essencial, e aqui está, saindo do shopping, agarrado a Rachel, que acabou com o namoro de seu melhor amigo, agora, senhoras e senhores, João Pedro! Finalmente!
João Pedro, de cabelos lisos e bagunçados, ligeiramente afoito, olhos azuis, esguios e desviados. "Que Boca Doce" esclamaria Rachel, esse doce de uma abelha que pousará em 1417 flores diferentes até onde se saberá. Pescoço liso, e frequentemente roxo, culpa dos chupões quase diários de Rachel, Ana, Fernanda, Ale, Natalie, Gabriela, Luiza, Rafaela, Vanessa, Bruna, e outras que não lembro dos nomes.
Ele já tem 12 anos, rebelde, desajustado, melhor dizer deslocado, está acima de vários tabus. Acaba de se despedir de Rachel, a número 378, que rápido, hoje é quinta, sabado ele tem uma festa, onde a Juli o espera.
Ainda sim, de tantas paixões, sem qualquer sentimento praticamente, ele acabou concentrou todo seu amor infantil num anjo. Anjo desses que é dificil ver por aí, sem curvas ou pecados, sorriso juvenil, e maduro ao mesmo tempo, seu porto seguro, amor platônico.
Enquanto isso, João estava a caminho de casa, embebido dessa maconha que por enquanto faz efeito algum, ainda faltam 1039 meninas, 17 namoros fracassados, 4 ou 5 transas, e um único beijo puro, esse sim, valeu a pena, tudo isso até os 14 anos. João Pedro é um Artaud moderno, ainda sem nunca ter ouvido falar em literatura.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
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