Era assim, do jeito que estava, naquele miasma causado pela nuvem formada por 15 cigarros fumados coletivamente, ao pé do muro do colegio, num terreno largado, a sombra de um ipê. Era alí que estava tudo bem, era ali sua paz. As melhores manhãs de joão Pedro começaram alí. Ele já não fumava, só curtia o cheiro, a roda era composta, na sua maioria de rapazes no mínimo 5 anos mais velhos do que ele, o que o tornava o mascote da turma. Tinha uma graça que encantava, respirava e fedia e depois passava a usar cigarros e destilados, matando aulas de portugues, matematica, geometria e desenho, que nunca prestavam mesmo.
Todas as quartas e sextas ele pulava aquele muro e era livre, livre dessas coisas estúpidas que nos rodeiam, ele era livre. Lá era que ele de fato soube e se tornou o que no futuro atual ele seria. No meio daquele caos de risadas, amores e fumaça por dentre os raios de sol, é que cresceu o verme de João Pedro, que irá desdobrar para sempre em todos quem o viram passar.
Enquanto isso, passaram tardes e mais tardes, no começo ele qundo era bem-vindo ficava recluso num canto, como se fosse um excluido, mas como as tardes eram sempre as mesmas, o silencio foi-se desfazendo, e a tarde alongando-se, entre o conversar e as risadas juvenis de um garoto de 10 anos. Eles aos poucos o foram integrando, mostrando como não ser, os truques que todo o menino que se diz menino deveria saber.
E fosse como fosse, João Pedro absorveu todas aquelas tardes, de um verão anormalmente quente e seco, o que ressaltava as cores, até que o dia se tornasse noite. Assim já se iam 3 meses, e ele mudava, mexia, provocava e conquistava um espaço na mente de todos. Seja no ódio de quem os repreendia, aos beijos de quem era preso a ele.
Mas faltava alguma coisa, isso foi o que sentiu após a festa de Juli. Isso 2 anos depois. Ainda sim sua mente tinha o cheiro daquelas manhãs emendadas. Antes em tardes, depois em noites.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
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Li os três textos e tô curiosa! :D Tu escreves de uma forma que prende o leitor, enlaça-o e, quando a gente percebe, está dominado pelas palavras de um narrador que hipnotiza da primeira à última palavra. Parabéns! =*
ResponderExcluirHey,
ResponderExcluirQuase nunca vou na comunidade BLOGS LITERÁRIOS. Hoje vi o "jogo" de comentar no último post. Você era o último a ter postado. Aqui estou.
Tu disse, lá na comunidade, que este é teu "primeiro projeto". Para um primeiro, vai bem, moço. Gosto de seu jeito de dizer as coisas que nem sempre são bonitinhas de se dizer, ditas de um jeito despretencioso.
Praticando, vais mais longe.
Grande abraço.