Aquele tarde foi incrivelmente agradavel. Já no Ibirapuera, João Pedro e a familia: maninha Lúcia e o Pai, foram afinal passar a tarde à beirada do lago. Um dos paraísos imaculados paulistas. Ainda João Pedro vestia a mesma camiseta amassada de ontem, acompanhada de uma bermuda e sandalia, o Pai, cujo nome não é importante, sorria, ao ver manhinha e João Pedro soltos no parque. Melhor assim. Deixe livres elas, as crianças que irão dominar o mundo. "Elas não sabem nada" - acha Pai - "melhor que fiquem soltas, corram e caiam e se levantem, para cair mais uma vez, enquanto ainda podem". São apenas crianças, não as fruste Pai, deixe-as correr, pra que a pressa, ninguem é tudo, jamais será. Deixe a vida, que com seus dados jogue por ele. Ainda sim, Pai não nos ouve, não é eu ou você que mudamos o rumo de João Pedro. Ele é um natimorto, como todos nós se você pensar bem.
Ainda sim é dificil olhar alguem assim, distante, cercado por uma neblina, que nem o mais tórrido calor de filha amorosa, fruto de um desfarelada tentativa de familia consegue quebrar. Um pai assim, ainda que o coração de João Pedro não o aceite como tal, um pai que batalha e labuta e não perdoa, até num belo domingo julino, e ainda não ganhou o devido espaço no coração de João.
Mas não é culpa dele não, acho que minha, já que como disse, ele é um natimorto, todavia, é um natimorto especial. João nascera assim, lugar comum, indesejado, amaldiçoado na sua primeira inspiração no novo mundo. Por que de fato era anjo, queria provar da vida, mesmo que lhe fosse dito que não. Rebelde, deu as costas ao seus compatriotas anjos e foi mergulhar naquela tambem quente tarde de Setembro de 1996. Desde então esse anjo se chamava João Pedro.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
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Ow, menino! Fico contente quando alguém diz gostar do que escrevemos... Essa coisa que nós ousamos chamar de cotidiano é riquissima, né?
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